Entre Aspas: Eternamente!

Ele estava lá, exatamente na hora marcada, três da tarde. Um ponto de encontro em meio as árvores. Parecia algo inexplicável, o amor nunca daria certo com outro alguém, eles apenas imaginavam que se algum dia tudo aquilo seria diferente, talvez não. Alguns momentos eram inesquecíveis, o som dos pássaros nunca fora tão lindo como naqueles dias, eles pareciam cantar entristecidos, uma beleza inconfundível, tão suave, tão agressivo; eles sabiam algo que nunca conseguiríamos entender.

Com seu vestido azul claro, como o céu, ele a amava tanto que mal conseguia tirar os olhos enquanto ela caminhava em sua direção. O seu toque parecia seda, o seu andar era leve, algo nela sempre o deixou sem reação, sem fôlego. Era mágica, ou talvez um encanto que jamais iria acabar, o amor dele por ela era maior que ele, era ruim, era bom, tudo ao mesmo tempo, e com nada comparava-se. Seu corpo tremia, suas mãos gelavam, quando ela ia embora, a sensação era de como estivessem levando seu coração.

O pôr- do -sol parece ainda melhor quando ela o vê no reflexo dos olhos dele, nada poderia ser pior do que nunca mais poder vê-lo. O jeito que ele tocava seu rosto, com tanto ardor, e ao mesmo tempo a pureza de quem nunca havia amado antes. Seu coração batia tão rápido quando ela o via de longe, queria saltar do peito, encontrá-lo de uma vez, a cada minuto que passava, ela se entregava ainda mais. Finalmente ela teria encontrado sua alma gêmea, ele não era rico, e muito menos poderia pedir sua mão em casamento diante de seus pais, mas todo aquele risco valia à pena, se ela morresse, morreria amando-o.

Dias depois, entre todas aquelas paisagens, um beijo que era como o último, calmo e suave, algo estava errado. Um barulho os assombra, alguma coisa se mexia entre todas aquelas árvores, ela olhou por cima dos ombros, o temor tomou conta de seus pensamentos, como se tudo fosse acabar dali para frente.

Seu pai, os guardas do castelo, o ódio transparecia no olhar de todos aqueles homens. O que todos ali pensavam era apenas em pecado, o sentimento bom nunca existiu, para eles nada além de uma vida amarga, sem amor. A aceitação era difícil, impossível na verdade.Os guardas foram direto ao seu amado, nenhuma chance teria, um único golpe de espada acabaria com sua vida. Todos os sorrisos, a alegria, tudo terminaria em sofrimento no final, ela pensava nisso a cada segundo enquanto eles o prendiam de uma forma brutal.

A espada se levantou como um raio em direção ao seu ventre, seus olhos se abriram num movimento de dor, nenhuma chance teve. Outros maléficos a seguravam, um empurrão a libertou e ela foi direto ao corpo. Ela mal conseguia encher seus pulmões de ar, seu pai aos berros, porém com um sorriso no canto dos lábios, conseguiu matá-lo, mas também matou sua própria filha.

Lágrimas enchiam os seus olhos, o sangue escorria por suas mãos e em seu vestido empreguinou. As lembranças, os sorrisos, agora restavam apenas isso. Toda a água limpa de uma cachoeira não dava para apagar o rastro de terror que seu pai havia deixado para trás. Em seu vestido branco como a neve, agora estava tão vermelho como o sangue que estava em suas mãos, do seu amado. As lágrimas já secaram há muito tempo.

E longe de todos aqueles que te fazem mal,e todo aquele sangue,ela tenta arrancá-lo de toda sua roupa, da alma, e em seu coração nada mais resta, aquela dor que insistia em machucar todo o seu corpo havia dado lugar a raiva.

E nada mais restou.

Em frente ao espelho, sua criada fazia seu cabelo, as lágrimas eram inevitáveis, seu vestido preto expressa seus mais profundos sentimentos, seu coração havia morrido. Perto da cachoeira, havia uma mulher velha, algum tipo de feiticeira que sabia fazer poções como ninguém, e lá ela foi parar. Um vidro pequeno, porém poderoso, ela dormiria um sono eterno.

Então, disse adeus, ela iria fazer de qualquer modo, seu pai finalmente conheceria a perda de uma forma bem próxima. E uma carta a sua criada entregou, era para seu pai, nela dizia: “Você me tirou um amor bom e tão lindo por puro egoísmo. Agora tiro de você o tesouro mais importante da sua vida, o que você guardou entre as paredes desse castelo como um animal selvagem. Tiro agora a minha vida.”. Seria como uma vingança, a não ser pelo fato da vontade de rever seu amor perdido.

Três da tarde, o mesmo horário dos encontros, o mesmo horário da morte do seu amor, o mesmo horário que ela se sentou sobre a relva com o vidro em suas mãos, ela olhou em sua volta. O céu estava lindo, os pássaros cantavam lindamente, parecia uma canção fúnebre, porém exaltada de alegria. Um único gole, poucas gotas. Uma overdose de memórias, tudo agora parecia tão claro, tão obvio, o seu destino era morrer por amor. Os sorrisos, as juras, e até o modo de se olharem, tudo seria eternizado, era o que ela desejava. Sua respiração se torna mais fraca, seus olhos já não enxergavam tudo com perfeição, as suas mãos se tornaram frias, sua vida estava finalmente acabando.

O último suspiro, seus olhos permanecem abertos, eles parecem reencontrar a quem olhar novamente, seu único e verdadeiro amor ali parado. E por fim, seu coração encontrou a paz. Eles disseram adeus, mais o amor durou por toda a eternidade, virou história, se tornou inspiração.

Postado Por Kami Moraes

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