Papeando: Supermercado Chanel

Karl Lagerfeld nunca se contentou com pouco. Nos desfiles da Chanel ele não só dirige com impecabilidade a criação de looks icônicos, mas também sempre monta um “show” que chama atenção e emociona os privilegiados que assistem o mesmo. Os cenários são sempre uma surpresa, dessa vez, na temporada de Inverno 2014/15, ele conseguiu se superar. Transformou o Grand Palais em um supermercado enorme que serviu de passarela, as modelos circulavam com conjuntinhos de tricô e – aparentemente – lurex (maravilhosos!) por corredores cheios de frutas, legumes, verduras, queijos, pães, utensílios para cozinha, produtos de limpeza…tudo extremamente “real” – só que não. E detalhe, todas as embalagens customizadas com Cs cruzados pra reforçar a riqueza no perfeccionismo que essa equipe tem.

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Até aí, tudo lindo. Após o desfile, uma voz anuncia no microfone uma mensagem aos convidados: “Sinta-se livre para pegar uma fruta ou legume de cortesia no seu caminho de saída.” Pra fechar com chave de ouro a apresentação, os membros da primeira fila podiam retirar um “jabá” nesse supermercado Chanel. Genial! Só não sei se Karl sabia que isso ia gerar tanto auê. Vocês já devem ter lido algumas pessoas contando como foi: “Como animais vorazes, membros da primeira fila subiram nos displays, enfiando os souvenirs em suas bolsas e mastigando cenouras com casca. Editoras foram vistas escondendo cebolas em suas clutches”, diz a reportagem da Dazed Digital.
Gente, alguém me explica o que alguém faz com uma cebola que apareceu no desfile da Chanel? Guarda num potinho? Enquadra? Expõe na sala? Sente o drama:

VEJA AQUI,

E MAIS AQUI!

É vergonhoso ver cenas desse tipo quando o único motivo é ganância e principalmente quando se trata de pessoas extremamente privilegiadas. Nos deparamos com cenas assim quando se trata de necessidade, quando alguém está em busca de itens básicos de sobrevivência e ainda assim, discordamos. Agora, o desespero que bateu em cada um deles foi impulsionado por pura falta de educação, de classe, de bom senso, de sempre colecionar o TER e não o SER, de querer mais e mais sem escrúpulos.
Ah, e um pequeno, mas não menos importante detalhe que os queridinhos não sabiam era que na saída do desfile uma equipe de segurança confiscava os produtos roubados. E  a cara de todo mundo, foi parar onde?

Todo esse tumulto pode até ter sido uma surpresa pra Karl Lagerfeld, mas com certeza deve ter amado o frenesi que seu “show” causou. Principalmente todo o viral que rolou depois nas redes sociais, conforme vocês viram aí em cima. 

Enfim, isso tudo só nos mostra que essa é a cultura do consumo de hoje: muita gente agindo por impulso, atuando de forma inacreditável e se auto iludindo acreditando que consumir aquilo vai te trazer junto aquele tão sonhado, estipulado e luxuoso estilo de vida.

Vamos repensar!

Beijinhos,

ass-mari

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